Trabalhadores Estrangeiros no Japão Imprimir E-mail

Com a reforma da Lei do Controle de Imigração do Japão que entrou em vigor em junho de 1990, o número de trabalhadores nikkeis provenientes dos países da América do Sul (Brasil, Peru, Argentina, Bolívia, Paraguai), para onde outrora imigraram os japoneses, cresceu de forma acelerada.

Até então, o Japão não permitia a entrada de mão-de-obra estrangeira não qualificada. Contudo, o desenvolvimento econômico, a partir da década de 80 e a falta de mão-de-obra ocasionada pelo envelhecimento da população e o reduzido número de crianças, o trabalho da mão-de-obra estrangeira tornou-se um tema extrema necessidade. A solução imediata foi a de dar prioridade à permissão de entrada de nikkeis que têm descendência japonesa.

Entretanto, a política básica de aceitação da mão-de-obra estrangeira do Japão era a de possibilitar a entrada de estrangeiros somente com conhecimentos especializados e técnicos. Desde 1987, a essência da política tem sido a adoção de uma postura cautelosa com relação à entrada de mão-de-obra não qualificada. Esta política tem sido mantida desde 6º Projeto Básico de Medidas para Questão do Emprego.

Atualmente, apesar da situação econômica bastante severa, os nikkeis têm funcionado como alicerce da indústria primária, secundária e terciária (serviços), tornando-se uma figura indispensável dentro da sociedade japonesa.

Porém, se analisarmos a via de emprego dos nikkeis, principalmente no período inicial, verificamos que eles eram, muitas vezes, vitimas de intermediários. Ainda no país de origem eram recrutados pelas agências intermediárias e chegavam ao Japão, praticamente, sem saber quem era a empresa empregadora, nem as condições de trabalho. Os problemas que os envolviam eram os mais diversos e, aqui no país eram vitimas de empreiteiras que realizavam descontos indevidos do salário, além de outras irregularidades . As empresas que os contratavam não realizavam uma administração adequada, não levando em consideração as peculiaridades dos nikkeis.

Com o objetivo de regularizar a via de empregos dos nikkeis e oferecer um trabalho com ambiente mais tranqüilo, o Ministério de Saúde, Trabalho e Previdência do Japão vem adotando diversas medidas de apoio aos trabalhadores brasileiros no Japão, através das agências oficiais de emprego, os Hello Works, que contam com intérpretes para facilitar a comunicação.

De acordo com os dados do final de 2008, o número de nikkeis provenientes dos países da América do Sul era de aproximadamente 312 mil pessoas, das quais 312 mil são brasileiros, 60 mil peruanos e 20 mil de outros países. Já ultrapassam de 2 milhões, o número de estrangeiros residentes no país.

No início do movimento, o objetivo dos nikkeis era simples “Decasségui”, ou seja, obter uma renda. Mas eles objetivavam também conhecer o país de seus antepassados.

No início de década de 90, havia um grande numero de ofertas de emprego tanto para japoneses quanto para nikkeis. Contudo, havia também uma propaganda exagerada fazendo com que a expectativa dos nikkeis fosse maior do que era na realidade. E por outro lado, as empresas empregadoras nutriam uma grande expectativa, deveriam possuir os mesmos costumes e formas de pensar.

Contudo, com o passar dos tempos, tornou-se inevitável os problemas que surgiam entre trabalhador e empregador, devido às diferenças na estrutura social, nas formas de pensar e nos costumes das sociedades japonesa e sul-americana.