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Relatos sobre o Japão

O amor não tem fronteiras - Final

 

"Alma gêmea da minha alma, flor de luz da minha / Sublime estrela caída das belezas da amplidão, / Quando eu errava no mundo triste e só, / No meu caminho chegaste, devagarzinho, e encheste-me o coração..."

Chico Xavier

 

   A vida é mesmo muito estranha. Quando o Rodrigo estava longe, chorava todos os dias de saudade. Por dois anos, esperei ansiosamente que voltasse para ficarmos juntos. Mas, quando ele voltou, tivemos um desentendimento e terminamos nosso namoro. Mas eu pensei bem depois... Eu queria voltar, porque... Bom, porque eu ainda o amava. Deixei meu orgulho de lado e o procurei, fui na sua casa, mas ele já havia se mudado. Perguntei para os amigos e vizinhos, mas ninguém tinha o endereço da nova residência, e todos me diziam:

     - Será que ele não foi de novo para o Japão?

     - Imagine! Ele não iria sem conversar comigo.

     "Ah! Deixa, uma hora ele aparece...", pensando assim, toquei minha vida.

     Depois de um mês, recebi um telefonema:

     - Oi.

     - Oi, Ro! Onde você está? O que aconteceu?

     - Estou no Japão.

     - Não acredito. A ligação está muito boa, deve estar por perto, não acredito que você está no Japão de novo!

     Foi difícil ele me convencer que estava do outro lado do mundo novamente. Mas, na realidade, ele estava...

     Pensei comigo: "Tudo bem, se é esta a vida que ele quer levar, não posso fazer nada. Vou tocar a minha, não posso viver de Rodrigo".

     Na verdade, tanto o Rodrigo quanto eu, durante essas ausências, procurávamos um ao outro em outras pessoas. Mas na hora de começar um namoro, caía a ficha, e percebíamos que aquela pessoa não era quem projetávamos. Tinha de ser o(a) original.

     No íntimo, sempre soube que ficaríamos juntos. Nas horas difíceis, quando a saudade batia, sempre me lembrava da música do Tom Jobim, "Eu sei que vou te amar".

     Assim como o Rodrigo já contou, em janeiro de 2005 trocamos alianças. E eu estudei muito o idioma japonês, me preparando para ir ao Japão.

     O Consulado impõe muitas exigências para dar o visto. Juntamos provas, como fotos, cartas e outros documentos, mas ainda não obtive meu visto. Ninguém sabe me explicar o motivo. Mas tudo bem. O Rodrigo foi primeiro ao Japão. Tenho certeza de que, então, finalmente irei com ele. A esperança é a última que morre.

 

Rodrigo & Danieli A.

*Danieli conseguiu o visto e atualmente os dois estão juntos, vivendo e trabalhando no Japão.

 

FIM

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